Pequinês: guia completo da raça
O cão-leão da corte imperial chinesa: pequeno, orgulhoso e cheio de pelos
Por Equipe Nmalls · 1 de agosto de 2026

Tudo sobre o Pequinês: origem imperial, temperamento independente, tamanho, saúde do focinho achatado e os cuidados essenciais com a pelagem e o calor.
O Pequinês é um cão pequeno de aparência inconfundível e personalidade do tamanho de um leão. Reverenciado há mais de mil anos na China antiga, o Pequinês foi durante séculos o companheiro exclusivo da corte imperial, tão valioso que roubá-lo podia custar a vida de quem ousasse. Seu nome vem de Pequim, a antiga capital imperial, e a raça era considerada sagrada, associada aos leões guardiões dos templos budistas, o que rendeu o apelido de cão-leão.

Segundo a tradição, esses cães viviam mimados dentro do palácio e só chegaram ao Ocidente em 1860, quando tropas europeias saquearam o Palácio de Verão durante a Segunda Guerra do Ópio e levaram alguns exemplares para a Europa. De lá para cá, o Pequinês manteve o ar digno e a autoconfiança de quem já foi tratado como realeza.
Características do Pequinês
- Energia: ●●○○○ — baixa
- Adestrabilidade: ●●○○○ — baixa a moderada
- Inteligência: ●●●○○ — moderada
- Nível de guarda: ●●●●○ — alto
- Apego ao tutor: ●●●●○ — alto
- Tendência a latir: ●●●○○ — moderada
- Sociável com crianças: ●●○○○ — baixa a moderada
- Sociável com outros animais: ●●●○○ — moderada
Tamanho e peso
O Pequinês é um cão de porte pequeno, compacto e surpreendentemente pesado para o tamanho, com ossatura robusta. Costuma medir cerca de 15 a 23 cm de altura na cernelha e pesar entre 3,2 e 5 kg, sendo que o padrão da raça valoriza exemplares que não ultrapassem esse peso. O corpo é mais comprido do que alto, com a frente mais larga que a traseira, o que dá o característico andar rolante, quase o de um pequeno leão. A pelagem é dupla, longa e abundante, formando uma verdadeira juba ao redor do pescoço e dos ombros, com franjas nas orelhas, patas e cauda. As cores aceitas são variadas, incluindo dourado, vermelho, creme, preto e cinza, muitas vezes com máscara escura no rosto.
Temperamento
Por trás da aparência de bibelô vive um cão de temperamento forte, independente e cheio de dignidade. O Pequinês é profundamente leal à sua pessoa ou família, mas não é do tipo que vive querendo agradar: ele escolhe quando quer carinho e mantém uma postura reservada, às vezes desconfiada, diante de estranhos. Corajoso e destemido, não tem noção do próprio tamanho e pode enfrentar cães muito maiores sem hesitar. É um excelente alarme, avisando com latidos qualquer movimento estranho. Com a família demonstra afeto sincero, adora colo e companhia, mas costuma preferir um ambiente calmo. Por ter pouca paciência com puxões e brincadeiras bruscas, nem sempre é a melhor escolha para lares com crianças muito pequenas, a menos que a convivência seja supervisionada e respeitosa.
Inteligência
O Pequinês é inteligente, mas à sua própria maneira. Trata-se de um pensador independente, que entende perfeitamente o que se pede, mas nem sempre vê motivo para obedecer, uma teimosia charmosa que às vezes é confundida com falta de esperteza. O adestramento funciona melhor com reforço positivo, sessões curtas, paciência e petiscos, evitando a repetição excessiva, que o entedia rapidamente. O ensino do xixi no lugar certo pode exigir constância, e limites precisam ser estabelecidos com gentileza e firmeza desde filhote, para que o pequeno rei não passe a mandar na casa. A socialização precoce ajuda a moldar um adulto mais equilibrado e menos rabugento.
Tempo de vida
Com bons cuidados, alimentação equilibrada e acompanhamento veterinário regular, o Pequinês costuma viver entre 12 e 15 anos, e muitos passam disso. É uma raça geralmente longeva, desde que mantida no peso ideal e protegida dos exageros de calor e esforço, que são seus maiores inimigos.
Saúde
O ponto de atenção mais importante do Pequinês é o fato de ser um cão braquicefálico, ou seja, de focinho achatado. Essa conformação deixa as vias respiratórias mais estreitas e pode causar a síndrome braquicefálica, com ronco, cansaço fácil e dificuldade para respirar, sobretudo em dias quentes ou de esforço. Por isso, ele é muito sensível ao calor e corre sério risco de insolação, nunca devendo fazer exercícios intensos sob sol forte nem ficar em ambientes abafados. Os olhos grandes e salientes também exigem cuidado, pois estão mais expostos a úlceras de córnea, olho seco e até deslocamento do globo ocular em traumas. Somam-se ainda predisposições a problemas de coluna pelo dorso alongado, luxação de patela e dermatite nas dobras de pele do rosto, que precisam ser mantidas secas e limpas. Nada aqui substitui a avaliação profissional: o médico-veterinário é sempre quem deve orientar exames, prevenção e qualquer decisão sobre a saúde do animal.
Cuidados
O maior compromisso de quem tem um Pequinês é a manutenção da pelagem. Aquela juba luxuosa embaraça com facilidade e pede escovação diária, ou pelo menos em dias alternados, para evitar nós e placas de pelo. Muitos tutores optam por tosas higiênicas e por manter o pelo mais curto para facilitar o dia a dia, principalmente no calor. As dobrinhas do rosto devem ser limpas e secas com frequência, os olhos verificados e as orelhas mantidas limpas. Como é sensível ao calor, o Pequinês precisa de ambiente arejado, água fresca sempre disponível e passeios em horários amenos, no início da manhã ou no fim da tarde. O exercício deve ser leve e moderado, o suficiente para manter o peso e a saúde sem forçar a respiração. Complete a rotina com corte de unhas, cuidados dentários e uma alimentação controlada, já que a raça engorda com facilidade.
Curiosidades
A lenda mais famosa conta que o Pequinês nasceu do amor entre um leão e um sagui: o leão teria pedido a Buda para diminuir de tamanho e ficar do tamanho da amada, mantendo o coração corajoso, e por isso o apelido de cão-leão. Na China imperial, os exemplares mais valiosos eram chamados de cães-manga por serem carregados dentro das largas mangas das vestes da nobreza. Um Pequinês chamado Sun Yat-Sen foi um dos poucos animais que sobreviveram ao naufrágio do Titanic, em 1912. E, apesar do tamanho, a raça guarda tamanha autoconfiança que muitos especialistas dizem que o Pequinês simplesmente não sabe que é pequeno.
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Perguntas frequentes
O Pequinês é um bom cão para apartamento?
Sim, é uma ótima escolha para apartamento. Tem porte pequeno, energia baixa e se satisfaz com passeios curtos e brincadeiras leves. O cuidado principal é com o calor: por ser braquicefálico, precisa de ambiente arejado, água fresca e passeios em horários amenos.
O Pequinês solta muito pelo?
Sim. Possui pelagem dupla, longa e abundante, e solta bastante pelo, com picos nos períodos de troca. Por isso pede escovação diária ou em dias alternados para evitar nós, além de tosas higiênicas que facilitam a manutenção, principalmente no calor.
O Pequinês sente muito calor?
Sim, e esse é o principal cuidado da raça. Por ter o focinho achatado, o Pequinês respira com mais dificuldade e é muito sensível a temperaturas altas, com risco de insolação. Nunca deve se exercitar sob sol forte nem ficar em locais abafados; prefira sombra, ventilação e água fresca.
O Pequinês se dá bem com crianças?
Convive melhor com crianças mais velhas e cuidadosas. É um cão digno, de pouca paciência com puxões e brincadeiras bruscas, então a convivência com crianças muito pequenas deve ser sempre supervisionada e respeitosa para evitar sustos de ambos os lados.





